m-learning e o aprendizado informal

sexta-feira, 24/agosto/2007

O aprendizado informal pode ser percebido de forma intencional ou acidental [Eraut, 2000]. O primeiro é percebido quando o aprendiz participa de atividades informais, mas tem consciência de estar inserido em um ambiente propício ao aprendizado e, portanto, está aprendendo enquanto interage com o mesmo. O segundo, por sua vez, acontece de forma não intencional, sem perceber que está aprendendo, ou seja, o indivíduo executa uma determinada atividade sem intenção direta de aprender, mas aprende sem a consciência de estar estudando.

“Enquanto o aprendizado informal é realidade na vida das pessoas, estas podem não reconhecê-lo como aprendizado de fato.” As pessoas aprendem informalmente com mais naturalidade e eficiência, pelo fato de não considerarem – de fato – um processo de aprendizado. As pessoas tendem, no cotidiano do trabalho, a se motivarem no aprendizado relacionado as suas atividades corriqueiras. Nesse caso, o aprendizado informal ajuda bastante, pois aumentam suas possibilidades de aperfeiçoamento das atividades.

Explorar o aprendizado informal é uma ótima vantagem proporcionada pelo m-learning uma vez que este estimula que em ambientes de pouca formalidade educacional se tornem propícios ao estudo. Estudos da aprendizagem informal mostram que a maioria da aprendizagem dos adultos acontece fora da instrução formal [Future Lab, 2004]. Isto não quer dizer que o m-learning só acontece através do aprendizado informal. Afinal, ambientes específicos para o aprendizado formal podem ser encontrados também dentro do conceito de mobile learning. Um exemplo disto poderia ser um quiz a ser respondido através de um PDA com o qual o professor avaliaria o conhecimento dos respondentes. Esta não pode ser classificada como informal já que possui especificação, avaliação e prazo que a formalizam.

O m-learning, todavia, se mostra eficaz para o estímulo ao aprendizado informal. Um exemplo disto seria um portal educacional em sua versão para celulares onde o aluno acessa o portal em ambientes informais com o intuito de estudar e assim o faz. Este ambiente pode estimular o aprendizado informal quando permite ao aluno executar atividades que não estão diretamente associadas a formalidade da educação tradicional, ou seja, atividades educacionais executadas sem compromisso sendo feitas por espontaneidade própria de cada um.

Desta forma, o m-learning permite que, em ambientes informais, usuários sejam capazes de buscar o aprendizado. A motivação para o m-learning está presente quando o aluno dispõe de grande mobilidade e liberdade de escolha de suas ações. Isto é, o aluno é capaz de praticar as atividades que quiser dentre aquelas disponíveis no ambiente de acordo com suas intenções pessoais e o contexto em que se encontra naquele momento. Nesse caso, podem ser exploradas aplicações que aperfeiçoem esses usuários nas suas atividades cotidianas. Os dispositivos móveis, devido ao seu tamanho e a sua facilidade de uso, tendem a suportar aplicações de ensino mais informais, expandindo os processos de aprendizado para a vida diária das pessoas em suas atividades mais corriqueiras [Future Lab 2004].


Conceitos e correntes do M-learning

sexta-feira, 20/julho/2007

Os conceitos, bem como o estado de arte do ensino a distância para dispositivos móveis evoluiu bastante ao longo desses últimos cinco anos. Atualmente, existem algumas correntes que entendem m-learning a depender de alguns aspectos bem específicos. O MIT, na sua ultima revisão da literatura em 2004, classificou essas correntes em quatro perspectivas:

  • Technocentric: vista como perspectiva dominante na literatura, essa perspectiva traz o mobile learning como o aprendizado através do uso de dispositivos móveis como PDA, mobile phone, iPod etc.
  • Relacionada com e-learning: caracteriza mobile learning como uma extensão do e-learning. [Traxler, 2005]
  • Aumento da educação formal: Na literatura de mobile learning, educação formal é muitas vezes caracterizada pelo ensino face-a-face, ou mais especificamente, o ensino em sala de aula. Essa perspectiva traz o mobile learning como qualquer forma de educação “tradicional” que não seja em sala de aula.
  • Centrada no aprendiz: Focada na mobilidade do aprendiz. “Qualquer forma de aprendizado que acontece quando o aprendiz não está parado, em local predeterminado, ou o aprendizado que acontece quando o aprendiz toma vantagem de oportunidades de aprendizado oferecida por tecnologias mobile” [O´Malley et al., 2003]

Para a .reply, o m-learning é caracterizado pelo aprendizado em movimento ou aquele que – mesmo parado – utiliza dispositivos móveis como ferramenta de apoio. Para exemplificar o uso desse conceito adotado, seguem alguns cenários do m-learning:

Cenário 01:

  • Uma caminhada no parque da jaqueira com m-learning poderia ser feita com a instalação de pequenos terminais de acesso ao longo da pista onde enquanto caminha o indivíduo poderia parar e pegar informações relacionadas a saúde ou meio ambiente, por exemplo, seguindo sua caminhada até encontrar outro(s) terminal(is).

Cenário 02:

  • Um motorista enquanto dirige lê outdoors que ensinem algum conteúdo. Isto poderia ser enquanto está parado no sinal, por exemplo, ter um letreiro que ensina leis do trânsito. O motorista aprende enquanto se movimenta de um local a outro.

 


Percepção em ambientes de ensino a distância

terça-feira, 10/julho/2007

O conceito de percepção está relacionado intrisecamente aos sentidos do corpo humano. Assim, muitos recursos são explorados em ambientes de ensino virtuais para gerar um mecanismo de feedback orientados ao aprendizado a partir de estímulos a esses sentidos.

Quando se fala de percepção em ambientes virtuais é notória a motivação para o desenvolvimento de interfaces que melhorem o entendimento dos usuários em duas perspectivas: a) Percepção das atividades presentes no ambiente (tanto as que estão sendo desenvolvidas, como as potenciais), e b) Percepção das responsabilidades em relação ao ambiente (seja por parte deste usuário, seja por parte de terceiros). É importante lembrar que a cada tipo de usuário percepções diferentes podem se mostrar mais relevantes.

Tais benefícios facilitam o desenvolvimento de artefatos que promovem uma ampla compreensão dos usuários durante todo o processo de aprendizado. Como exemplo, podem ser citados recursos colaborativos utilizados em ambientes virtuais de ensino que permitem aos usuários saberem, em tempo real, quem está presente no ambiente e o que está fazendo.

Nesse contexto, educadores e cientistas da computação pesquisam, em conjunto, alternativas para o desenvolvimento de artefatos e serviços computacionais que possam ser, cada vez mais, inseridos nos ambientes de ensino, sobretudo nos virtuais. Assim, é possível que os alunos intensifiquem e estendam sua compreensão e interação com os professores, colegas e conteúdo programático.